16 de dezembro de 2014
Você compraria um carro que recebeu nota zero em um crash test? A pergunta pode parecer óbvia, mas, historicamente, o consumidor brasileiro nunca priorizou a segurança nos veículos. Aspectos como beleza, economia de combustível e preço sempre se sobrepuseram. Contudo, essa percepção está mudando.
A obrigatoriedade de air bags e ABS para os freios deixou os modelos nacionais mais seguros em 2014. E o aumento da concorrência em todos os segmentos impactou no refinamento dos produtos. Tal resultado pode ser visto nos testes de colisão mais recentes do Latin NCAP. A última bateria (5ª fase) mostra que a segurança subiu de nível.
Em 2010, a organização que realiza crash tests com veículos vendidos na América Latina estreou com uma bateria de arrepiar — no mau sentido (veja a galeria). Fiat Palio e Peugeot 207 bombaram literalmente, obtendo apenas uma estrela em cinco possíveis. Por sorte, desde 2012, a indústria automobilística brasileira vem se revitalizando.
Vários modelos avaliados nas primeiras fases do Latin NCAP já saíram de linha. E os novatos que os substituíram chegaram em plataformas globais, mais rígidas e estáveis, e equipados com tecnologias antes inexistentes entre compactos, como ESP (controle de estabilidade) e o assistente de saída em ladeiras, que mantém os freios acionados por alguns segundos para o carro não descer.
— Os fabricantes já não conseguem mais ter carros melhores lá fora e não aqui, porque o mundo é globalizado, e o consumidor local sabe qual é o melhor veículo. Os NCAPs estão em vários países, justamente para melhorar a segurança dos veículos em cada região. E o Brasil tem se saído muito bem nesse sentido.
As palavras são de Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste — Associação de Consumidores. O órgão é parceiro do Latin NCAP e vem expandindo sua atuação. Em novembro, realizou uma bateria de testes com cadeirinhas infantis e concluiu que a maioria dos modelos à venda no Brasil tem proteção fraca ou ruim.
R7 Carros recebeu a coordenadora da Proteste para um bate-papo exclusivo sobre os crash tests do Latin NCAP. Satisfeita com a evolução dos modelos nacionais, Maria Inês Dolci acredita na conscientização natural dos brasileiros, mas ressalta a importância da percepção sobre o real valor da segurança nos carros.
— Se o consumidor não tem dinheiro para comprar um carro mais seguro, talvez seja melhor esperar mais um pouco. É importante ter a consciência de que ter um veículo mais seguro pode salvar vidas ou mesmo minimizar lesões em caso de acidentes mais graves — lesões que, às vezes, podem durar para o resto da vida.
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