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Sem rodeios, Ace levou operação do Itaú

"Pode tirar foto, mas eu não faço pose", disse Evan Greenberg, presidente mundial da Ace Seguros ...



Geral
2 de janeiro de 2015

"Pode tirar foto, mas eu não faço pose", disse Evan Greenberg, presidente mundial da Ace Seguros, após entrar numa sala do Hotel Fasano para dar a sua primeira entrevista após adquirir a carteira de seguros de grandes riscos do Itaú, a maior do mercado. Contrariando a prática no mundo corporativo, o executivo dispensou a companhia dos três assessores de imprensa que o escoltavam e até mesmo o seu assistente pessoal. A primeira impressão resume bem o estilo do executivo à frente de uma das maiores seguradoras do mundo: firme e objetivo, sem rodeios.

E essa atitude, muitas vezes, surpreende os rivais. Foi assim na compra do portfólio do Itaú, em julho. A Ace chegou à disputa somente aos 45 do segundo tempo e logo desbancou concorrentes de peso. Greenberg valeu-se do contato que tem com o antigo pessoal do Unibanco - foi ele quem costurou a joint-venture entre o banco brasileiro e a AIG, em 1997, quando trabalhava na seguradora, à época presidida por seu pai, Maurice Greenberg.

Como foi a equipe da seguradora do Unibanco que prevaleceu na fusão com o Itaú, o executivo conhece bem, não só as pessoas, mas o ativo que adquiriu por R$ 1,5 bilhão. Ele reencontrou, inclusive, o mesmo executivo no comando da operação: Antonio Trindade, que assinou um contrato de três anos para permanecer na presidência da, agora, Ace Seguros Soluções Corporativas.

"Foi uma oportunidade rara em um mercado importante", diz sobre a compra - que foi avaliada como cara pelo mercado. "Foi um processo bastante competitivo e o preço é ditado pelo mercado. [Mas] eu acredito que a aquisição, mesmo com o preço que pagamos, vai manter o nosso histórico de retornos superiores aos nossos acionistas."

Greenberg avalia que a carteira adquirida é boa e complementar à da Ace. "Mas o portfólio ainda é relativamente restrito. Vamos trazer especialidade em produtos e mais capacidade financeira". Entre as coberturas em que a companhia já atua lá fora ele citou garantias, responsabilidade ambiental e outras apólices de responsabilidades.

Quando se fala de capacidade financeira em seguros se fala de capital, por conta da relação direta que há entre a necessidade de capital e o volume de prêmios. A Ace tem também no Brasil uma resseguradora local com capital de R$ 134 milhões, o que aumenta a capacidade de absorção de riscos do grupo no país.

O Itaú é o maior cedente de riscos para resseguradoras no país. Em 2013, repassou US$ 655 milhões em prêmios para o mercado de resseguro - inclui também operações que não foram vendidas à Ace. Seu maior parceiro é o IRB. Segundo Greenberg, a companhia vai maximizar o uso do balanço da Ace no Brasil, mas vai continuar trabalhando com as resseguradoras locais, "em estreita cooperação e parceria" com o IRB. "Nossa cooperação com o IRB vai se estender para além do Brasil", disse.

A Ace está presente em 54 países, onde atua em linhas de seguros patrimoniais e de responsabilidades - segmento em que a seguradora do Itaú é líder no país. "Metade do nosso negócio vem dos Estados Unidos e a outra metade de fora. Ásia e América Latina representam 25% da receita e contribuem fortemente para o resultado". A seguradora tem faturamento global de cerca de US$ 25 bilhões por ano com prêmios de seguros.

A seguradora americana é reconhecida mundialmente pelo forte desempenho operacional, o que garante um bom retorno aos acionistas mesmo em períodos de baixas taxas de juros e de "soft market" - jargão para definir ciclos de mercado em que as seguradoras têm excesso de capital, o que pressiona o preço dos seguros e, consequentemente, os resultados das companhias.

Rentabilidade será um dos grandes desafios no Brasil, onde a concorrência aumentou nos últimos anos, com a abertura do mercado de resseguros e a entrada de estrangeiras. "As duas empresas [Ace e Itaú] têm uma cultura de subscrição [análise de risco] disciplinada", diz Greenberg.

Apesar da desaceleração da economia brasileira, o executivo vê espaço para avançar entre pequenas e médias empresas e multinacionais brasileiras. "Buscamos crescimento que reflitam as tendências macroeconômicas e sociais ao redor do mundo: classe média e pequenas e médias empresas crescendo, e o serviço às grandes corporações multinacionais", afirma.

Outro desafio apontado pelo mercado são grandes indenizações provenientes da carteira do Itaú. Uma delas é a de cerca de R$ 360 milhões negada à mineradora Anglo American, por conta dos danos ao Porto de Santana, no Amapá, discutida na Justiça. Outra indenização alta deve ser da apólice de responsabilidade de executivos (D&O, na sigla em inglês) da Petrobras, com valor de cobertura de US$ 250 milhões e que deve ser usada por conta dos escândalos de corrupção na estatal.

À época da venda, o Itaú informou que a venda da carteira havia sido fechada sem restrições, ou seja, sem qualquer tipo de ajuste que pudesse reduzir o valor da transação - como provisões futuras para indenizações maiores que o esperado, por exemplo. Questionado se isso poderia afetar a rentabilidade do negócio, Greenberg disse que não comentaria as condições da transação.





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