Analistas dizem que o segredo para se destacar no ambiente de open insurance é estabelecer parcerias amplas e irrestritas. As seguradoras concordam e já começam a acatar o conselho e parecem estar abertas a parcerias. A Susep tem ajudado com resoluções mais modernas e flexibilização de regras, possibilitando que as seguradoras possam unir-se a bancos digitais, fintechs, insurtechs, bigtechs, corretoras digitais e marketplaces, ampliando a oferta de produtos e serviços e tornando o ambiente mais competitivo.
No open insurance o cliente é dono de seus dados e precisa autorizar as empresas a compartilhá-los com terceiros. Nuno Vieira, sócio-líder de consultoria em seguros da EY para América Latina Sul, diz que as parcerias podem ajudar as seguradoras a mudar o sistema de distribuição de produtos, que sempre foi muito fechado no Brasil.
Reportagem publicada no jornal Valor Econômico mostra que esses acordos ajudam a aumentar a oferta de produtos que antes não eram comercializados, como seguro de bicicleta, pet, rural com serviços agregados e assistência médica ampla com telemedicina. A BB Seguridade saiu na frente e já estabeleceu 230 parcerias.
A meta é chegar ao final de 2022 com 750. A estratégia da companhia inclui plataformas de revendas que atuam no agronegócio, como é o caso da Agrogalaxy, que já é parceira da BB Seguridade desde 2021. “Além disso, a holding busca formas mais amplas de colocação para seus produtos, por meio de marketplaces, bigtechs e redes de varejo”, disse ao jornal Ulisses Assis, presidente da BB Seguridade.
Segundo a reportagem, o Bradesco Seguros vem desenvolvendo mais de 80 provas de conceito e testes em parceria com bigtechs, fintechs, insurtechs e startups para projetos voltados para seguros de auto, residencial, vida, saúde, previdência e capitalização. Já foram 337 mil propostas digitalmente aceitas em previdência, 71 mil em vida, 211 mil pedidos de assistência para automóveis, 66 mil para residência e mais de 557 mil em telemedicina só no quarto trimestre de 2021.
Ivan Gontijo, presidente do Grupo Bradesco Seguros, disse ao jornal que o mercado de seguros tem passado por transformações estruturais profundas, que vão do perfil demográfico mais longevo da população, à revolução tecnológica e digital, com modelos de negócios que incorporam novos players. A seguradora dirigida por Gontijo tem investido em projetos calcados em três frentes: parcerias com corretores e foco em tecnologia de análise de dados; soluções ágeis, intuitivas e digitais não só de venda, mas também de pós-venda.
“E, por fim, no fomento à inovação nas operações, que atendam às necessidades dos clientes e deem sustentabilidade aos negócios. O caminho é a parceria”, afirma Gontijo.
Em ritmo mais adiantado, a Icatu já se aliou a bancos digitais e fintechs, como C6, Inter, Guia Bolso, Stone, Genial Investimentos, Creditas, Betterfly e Warren, para comercializar seus produtos de vida e previdência.
Em vida, o faturamento cresceu 24%, totalizando R$ 2,5 bilhões, e, em previdência, as contribuições avançam 11%, totalizando R$ 9,1 bilhões, com captação líquida de R$ 2,2 bilhões e reserva R$ 44 bilhões. A meta do presidente da seguradora, Luciano Snel, é fazer o produto chegar em qualquer bolso, em qualquer canal e em qualquer fase da vida.
Para Luciano Snel, o novo ambiente aberto e mais democrático de negociações do open insurance está propiciando isso. O executivo contou que a Icatu tem 380 fundos em previdência e 138 gestores parceiros. “Lançamos, ainda em agosto de 2021, o crédito protegido Prev, em parceria com a Creditas, que é um empréstimo lastreado na reserva de previdência”, afirmou.
O lançamento aconteceu no momento em que aumentavam os resgates para pagar dívidas. O cliente simula e decide se, ao invés de resgatar e perder a tabela regressiva, não é melhor tomar empréstimo com juros competitivos.
Outra companhia com tradição em parcerias no canal de distribuição é a Zurich e a parceria já representa 40% do volume total de prêmios. Além das plataformas digitais, os seguros da companhia são comercializados também em redes varejistas e bancos. Edson Franco, presidente da Zurich Brasil, diz que isso explica o crescimento em todas a verticais de negócios e as parcerias vão representar cada vez mais. “A transformação de mercado é enorme e acompanha os novos hábitos do consumidor”, analisou.
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