De acordo com uma matéria veiculada pelo Valor Econômico nesta quinta-feira (17); a insurtech Iza viu um aumento nas contratações depois que se tornou obrigatório que as companhias de delivery ofereçam cobertura para seus entregadores.
Desde a edição da lei 1.665, em janeiro, os contratos firmados sobretudo com aplicativos de entrega aumentaram 300%. Selecionada na primeira turma do sandbox da Superintendência de Seguros Privados (Susep); em 2020, a empresa nasceu com foco nos 45 milhões de trabalhadores autônomos no Brasil que não possuem proteção.
“Em média, a poupança do brasileiro é suficiente para sustentá-lo de sete a dez dias. O que acontece com marceneiros, caminhoneiros, pintores e empregados domésticos se não podem exercer a profissão por determinado período? Nosso objetivo são essas pessoas que não possuem proteção”, diz o fundador da empresa, Gabriel de Ségur.
O produto da companhia reúne quatro coberturas tradicionais em uma: inclui despesas médicas e odontológicas, diárias de incapacidade temporária e permanente, morte por acidente e assistência funeral.
“O cliente da Iza não tem dinheiro para pagar um atendimento médico e pedir reembolso, o que pode demorar até quatro meses em uma seguradora tradicional. Nós facilitamos isso”, afirma o executivo.
A proteção contratada fica ativa durante um dia inteiro ou enquanto durar a prestação do serviço e é monitorada por um sistema de georreferenciamento. A própria seguradora paga as despesas hospitalares, quando necessário, reduzindo a possibilidade de fraudes. Em quase um ano de operação, foram acionados 27 sinistros, principalmente de despesas hospitalares.
Ainda de acordo com o portal, a seguradora digital tem focado no relacionamento com os aplicativos de entrega. A companhia já estava pronta para isso quando a lei foi sancionada, diz o executivo. Antes da regulação, a Iza já tinha contratados seguros para 3 mil motoboys. Depois da regra, apresentou 48 propostas comerciais e implantou 27, mais do que triplicando o número de segurados para 10 mil.
A Iza recebeu autorização para entrar no mercado após a primeira rodada do sandbox regulatório da Susep. Entre as regras do programa, há um limite máximo de 75 mil CPFs segurados. Acima disso, é possível negociar com o regulador um aumento deste teto. A outra opção é sair do ambiente experimental como uma seguradora independente, a exemplo do que aconteceu com a Pier, em dezembro do ano passado. A empresa recebeu licença definitiva diante do crescimento acelerado.
A Iza vislumbra seguir o mesmo caminho em 2022, mas sem pressa, diz Ségur. “O foco do nosso negócio é o profissional autônomo, não queremos montar o produto e empurrar a qualquer custo e sim evoluir progressivamente”, afirma.
Depois de se consolidar no segmento de delivery, pretende olhar para novos segmentos de atuação. A seguradora digital já passou por duas rodadas de captação e levantou R$ 18 milhões. Os recursos serão investidos em tecnologia e a companhia diz ter caixa para manter suas operações até janeiro de 2023. Agora, a Iza prepara sua rodada série A, prevista para este ano.
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