Segundo o estudo Panorama Mulheres 2023, do Talenses Group com o Insper, a presença de mulheres em cargos de presidência e liderança aumentou 5% de 2019 a 2022, passando de 13% a 17% dos CEOs no Brasil. Embora seja uma boa notícia, ainda indica um percentual baixo. Diniz, pesquisadora do Insper, comemora o avanço, mas pontua a questão étnico-racial: “Nossa intuição inicial era de que talvez a gente tivesse andado para trás, então esse avanço é um motivo para comemorar. Mas, se avançamos, não avançamos da mesma forma para todas as mulheres.”
Cenário no ramo segurador
Apesar de as mulheres representarem a maior parte da população brasileira, ainda ocupam menos espaço no cenário executivo. Conforme o levantamento da Escola de Negócios e Seguros (ENS); a presença das mulheres nas seguradoras corresponde a 57% dos cargos de menor qualificação e 31% dos cargos executivos. A diretora de ensino técnico da ENS também aponta que a pauta de gêneros não é a única que merece atenção no que se refere a diversidade e inclusão no setor de seguros, e acrescenta: “O que constatamos neste estudo é que um maior número de empresas tem trabalhado ativamente para incentivar mais mulheres nos cargos executivos, e elas estão chegando lá. Sabemos que não é, nem nunca foi, uma questão de competência”. Já o Panorama Mulheres 2023 indicou que a atividade de liderança feminina se encontra na maior parte em empresas de pequeno porte, capital fechado e no setor de serviços.
Desigualdade salarial baseada em gênero no mundo corporativo
Apesar do aumento do número de mulheres líderes, a desigualdade em comparação aos homens ainda assola diversos setores. Além da baixa ocupação de mulheres em cargos de liderança, se comparado com os homens, a oferta salarial para a população feminina também é menor do que para a masculina. Com base no Pew Research Center: “As disparidades salariais entre homens e mulheres – a diferença entre os rendimentos de homens e mulheres – praticamente não diminuíram nos Estados Unidos nas últimas duas décadas. Em 2022, as mulheres americanas normalmente ganhavam 82 centavos para cada dólar ganho pelos homens. Isso foi quase o mesmo que em 2002, quando ganharam 80 centavos por dólar.” Ainda segundo a pesquisa da ENS, foi possível perceber a manutenção da desigualdade salarial nos cargos de liderança no Brasil. “Em 2015, o salário médio no setor era de R$5,4 mil para homens e R$3,9 mil para mulheres. Em 2018, os valores subiram para R$6,3 mil e R$4,5 mil, respectivamente. Em 2021, os homens ganhavam R$8,3 mil por mês e as mulheres, R$5,8 mil” – alegou o estudo.
“As nossas entregas falam muito mais do que o nosso gênero”
Os resultados do trabalho das mulheres nas empresas podem sinalizar progressos efetivos. Embora o contexto sócio-histórico seja desfavorável para as mulheres, a atividade feminina não fica atrás quando se analisa o desempenho. Em um episódio do SeguroPod, bate-papo do Canal CNseg, Angela Assis, Diretora-presidente da Brasilprev, narrou, junto a outras líderes do âmbito corporativo, experiências e conquistas que impulsionaram suas carreiras frente a um segmento ocupado majoritariamente por homens. Assis refletiu: “As nossas entregas falam muito mais do que o nosso gênero. Se somos mulheres ou se somos homens, isso não é relevante. De fato, dentro da nossa carreira profissional, são as nossas entregas que justificam a nossa ascensão.”
Conquistas femininas em insurtechs
No Brasil, a insurtech IZA, que oferece soluções de seguros para pessoas autônomas e empresas, recebeu R$460 mil de investimento da Sororitê, grupo de investidoras-anjo que apoia startups lideradas ou fundadas somente por mulheres. A empresa nasceu a partir de um grupo no WhatsApp e atualmente possui uma rede de mais de 120 investidoras-anjo de diversas áreas para investir em startups. Flávia Mello, Erica Fridman e Jaana Goeggel já ultrapassaram a quantia de R$5 milhões em investimentos em negócios desenvolvidos e liderados por mulheres. Esse feito só comprova ainda mais a capacidade e a potência da habilidade feminina, e que, apoiando o trabalho umas das outras, podem adquirir resultados ainda maiores.
Potencial das mulheres é estampado nos cinemas
Não tão distante da visão comentada por Angela Assis, a produção cinematográfica “Estrelas Além do Tempo”, baseada em fatos reais, faz jus ao quadro narrado pela executiva dentro de um contexto do século passado. O filme retrata a história de três mulheres afro-americanas que trabalharam na NASA durante a corrida espacial dos Estados Unidos, e destaca a contribuição significativa e, muitas vezes, negligenciada das mulheres (em particular, na ciência e tecnologia). Assim como as protagonistas do filme desafiaram estereótipos de gênero e raça para desempenhar papéis na NASA, as mulheres no setor de seguros também têm o potencial de contribuir trazendo uma diversidade de perspectivas e habilidades, que são essenciais para enfrentar os desafios em constante evolução da indústria. Do mesmo modo que as personagens do filme superaram barreiras para contribuir para a ciência, as mulheres colocadas em posição de chefia podem superar barreiras para impulsionar inovações, criar produtos e promover práticas comerciais específicas. “Estrelas Além do Tempo” também demonstra a importância do apoio mútuo entre as mulheres, o que reflete o papel da Sororitê, por exemplo, com o investimento em profissionais femininas na promoção de lideranças e na criação de um ambiente corporativo mais inclusivo. Portanto, a produção artística cinematográfica apenas ilustra uma realidade de atraso quanto ao reconhecimento da figura feminina, especialmente na área científica, e no trabalho qualitativo que as mulheres podem desenvolver.
Líderes que impulsionaram o mercado
A seguradora IZA, mencionada acima, tem como Co-Founder, Amanda Nespatti, que opera na elaboração de estratégias de marketing que aceleraram fortemente o crescimento da seguradora, que com somente 2 anos em ativa obteve 250 mil segurados por CPF. Além de Nespatti, diversas outras mulheres mostraram relevância em seus cargos: a CEO e Cofundadora da Pipo Saúde, Manoella Mitchell, que alcançou R$100 milhões, o valor mais alto em investimento em uma startup no Brasil; Denise Lima de Oliveira, CEO e fundadora da Fitinsur, primeira insurtech brasileira especializada em desenvolver serviços de gestão e vendas em seguros através de tecnologias; Dolores Egusquiza, Co-founder & CMO da Klimber, insurtech argentina responsável pelo primeiro seguro de vida digital da América Latina; Paola Neira, fundadora da Latú Seguros, insurtech focada em seguros empresariais D&O e Cyber que permite uma nova forma de compreender o risco para proteger as empresas e suas lideranças contra sinistros e ataques cibernéticos; Michele Brito, Diretora de Seguros no Mercado Livre, startup que já existe há 24 anos e se mantém desenvolvendo um ecossistema inovador de soluções integradas. Essas são apenas algumas das inúmeras mulheres que estão fazendo um trabalho com excelência e alavancando cada vez mais o setor, promovendo avanços no campo da tecnologia e da inovação.
VEJA TAMBÉM
Iniciativa reuniu mulheres para discutir investimentos, formação de patrimônio, previdência e proteção fin ...
Última prova do ano será realizada no dia 29 de novembro, no Complexo Turístico da Ponta Negra, às margens ...
Palestra promovida pela SulAmérica reuniu mulheres na sede do SindsegSC para falar sobre saúde.






