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Quadrilhas forjam roubos, acidentes e até mortes para receber indenizações de seguros

Golpes podem gerar cerca de R$ 2 bilhões em indenizações



Geral
23 de junho de 2025

Por G1
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Uma investigação exclusiva do Fantástico revelou um esquema nacional de fraudes contra seguradoras, com casos que vão de falsos roubos de carga a um homem que simulou a própria morte para tentar receber R$ 2 milhões do seguro de vida.

No litoral do Paraná, Orlando Luiz Pires Júnior, de 49 anos, foi dado como morto após um suposto afogamento. A certidão de óbito foi emitida, e um amigo dele seria o beneficiário do seguro de vida. Dois meses depois, Orlando apareceu vivo em uma audiência trabalhista no interior do estado. A polícia o localizou em Jaguapitã, onde ele confirmou sua identidade.

O caso de Orlando é apenas um entre muitos. Em São Vicente (SP), um caminhoneiro denunciou um falso sequestro e roubo de carga avaliada em R$ 700 mil. A investigação revelou que ele fazia parte de uma quadrilha especializada em fraudes contra seguradoras. O grupo forjava crimes e revendia as mercadorias.

Em São Paulo, uma motorista alegou que teve o carro furtado. Imagens de câmeras de segurança mostraram que ela mesma voltou ao local e dirigiu o veículo embora. No Rio de Janeiro, outra mulher convenceu um mecânico a incendiar seu carro para simular um assalto. O mecânico desistiu e virou testemunha do caso.

Confira aqui a reportagem completa exibida no Fantástico.

No Ceará, dois motoristas encenaram um acidente de trânsito para tentar receber R$ 200 mil de indenização. A perícia concluiu que a batida foi proposital. Já no Mato Grosso, cinco motoristas usaram “carros dublê” para fraudar seguros contratados após acidentes reais. As fotos enviadas para a vistoria online não correspondiam aos veículos sinistrados.

Segundo a Confederação Nacional das Seguradoras, apenas no primeiro semestre de 2024, os pedidos de indenização considerados suspeitos somaram mais de R$ 2 bilhões. As fraudes encarecem os seguros e prejudicam todos os segurados, afirma o advogado Luíz Felipe Pellon.

"É uma atividade que prejudica a todos, cria trabalho para a polícia desnecessariamente, a seguradora tem que criar estruturas para combater fraudes, tudo fica mais caro em função disso daí. O grande prejudicado é o próprio segurado", aponta o advogado.

As polícias de São Paulo e Minas Gerais identificaram 26 boletins de ocorrência suspeitos, com relatos semelhantes de assaltos em suas capitais e outros sete municípios. Em muitos casos, os criminosos criavam roteiros detalhados para os motoristas cooptados seguirem nas delegacias.

No caso de Orlando, cinco pessoas foram indiciadas por estelionato e associação criminosa. A polícia do Paraná afirma ter convicção de que o grupo agiu em conjunto para fraudar o seguro. Todos os envolvidos já respondem na Justiça.





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