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Exportações brasileiras aos EUA caem 12,2% enquanto vendas ao restante do mundo avançam

Queda no mercado americano contrasta com alta de 10,5% nas vendas para outros destinos e acende alerta sob ...



Geral
17 de agosto de 2026

Por André Charone
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As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 12,2% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. No intervalo, as vendas ao mercado americano somaram cerca de US$ 21 bilhões, aproximadamente US$ 2,9 bilhões a menos que em 2025.

O resultado chama atenção porque ocorre na direção oposta ao restante do comércio exterior brasileiro. Enquanto os embarques para os EUA diminuíram, as exportações para os demais mercados cresceram 10,5%.

Para o professor universitário e mestre em Negócios Internacionais André Charone, os números mostram que o problema está concentrado na relação comercial com os Estados Unidos.

"O Brasil não está deixando de exportar. Pelo contrário: as vendas para outros mercados estão avançando. O que estamos vendo é uma perda específica de espaço no mercado americano, influenciada por barreiras comerciais e pela redução da competitividade de alguns produtos brasileiros", avalia.

Entre os fatores que ajudam a explicar o cenário estão as sobretaxas impostas pelos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros. Nos segmentos mais afetados pelas tarifas, a retração das exportações foi ainda mais intensa.

Segundo Charone, o efeito para as empresas vai além da redução do volume vendido.

"Quando uma tarifa aumenta de forma significativa, a empresa precisa escolher entre reduzir sua margem, repassar o custo ao comprador ou buscar novos mercados. Dependendo do setor, uma operação que antes era lucrativa pode simplesmente deixar de fazer sentido econômico", explica.

Diversificação ajuda a reduzir impacto

O crescimento das vendas brasileiras para outros destinos indica que parte das empresas conseguiu redirecionar seus produtos.

Itens como petróleo, produtos siderúrgicos e celulose registraram redução das vendas aos Estados Unidos, mas encontraram maior demanda em outros mercados.

Para Charone, a diversificação é positiva, mas não elimina a importância estratégica do mercado americano.

"Encontrar novos compradores é fundamental e reduz a dependência de um único país. Mas não podemos analisar apenas o valor total exportado. Os Estados Unidos são um destino importante principalmente para produtos industrializados, que possuem maior valor agregado e forte impacto sobre emprego e renda", destaca.

Os EUA permanecem entre os principais parceiros comerciais do Brasil e são o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás da China.

Por isso, uma queda prolongada nas vendas pode representar um desafio especialmente para empresas industriais e exportadores que construíram parte relevante de sua operação voltada ao mercado americano.

Empresas precisam rever estratégias

Na avaliação de Charone, o atual cenário também reforça a necessidade de as empresas incorporarem riscos comerciais e geopolíticos ao planejamento.

"Internacionalizar uma empresa hoje não significa simplesmente começar a exportar. É necessário avaliar câmbio, tributação, logística, risco regulatório, tarifas e dependência de determinados mercados", afirma.

O avanço das exportações brasileiras para outros países mostra capacidade de adaptação, mas não elimina o sinal de alerta.

"O Brasil está conseguindo vender mais para o mundo, o que é uma notícia positiva. O desafio agora é continuar diversificando mercados sem perder relevância em uma economia do tamanho dos Estados Unidos", conclui Charone.





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