1 de setembro de 2015
Com o Renave, não será mais preciso transferir a documentação do veículo para a revenda, reduzindo o custo em R$ 980
SÃO PAULO - O governo vai desburocratizar a venda de carro usado no Brasil a partir de março. O Registro Nacional de Veículos em Estoque (Renave); lançado hoje pelo ministro da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, prevê que as transações entre dono do automóvel e loja serão feitas por meio eletrônico com a emissão de uma nota fiscal eletrônica de entrada, e o veículo vai, imediatamente, para o estoque da loja. Não será mais preciso a transferência da documentação do veículo para a revenda. Isso gera uma economia de R$ 980 por automóvel e uma redução de 15 dias no trâmite atual de transferência.
— Estimamos uma redução de custo de mais de R$ 6,5 bilhões no total. E essa economia vai ser repassada ao consumidor — afirmou o ministro.
Segundo ele, a medida vai garantir a diminuição de gastos excessivos com trâmites burocráticos, já que todo veículo a ser repassado à revenda estará em um registro eletrônico. O Renave é o primeiro projeto aprovado do Programa Bem mais Simples que visa a desburocratizar e diminuir o número de procedimentos na hora de abrir uma empresa no país.
O presidente da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto); Ilidio dos Santos, disse que uma das vantagens do Renave é a diminuição do tempo na transferência do carro para a loja.
— Era um custo imobilizado. Ficávamos 15 dias com o carro parado sem poder negociá-lo. Agora, isso vai acabar. Poderemos, sim, repassar essa economia para os preços dos carros usados, o que vai movimentar ainda mais o mercado — explicou Santos.
ANFAVEA: PROGRAMA PODE AJUDAR MERCADO
De acordo com dados da Fenauto, até julho foram comercializados 7,5 milhões de carros usados, um aumento de 4,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Para automóveis com até três anos de uso, a elevação nas vendas foi de 39%.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea); Luiz Moan, disse que o programa poderá ajudar o mercado de veículos novos quando for implantada:
— Ações desse tipo vão ajudar as vendas de veículos no ano que vem. Todas as medidas que já foram anunciadas pelo governo vão impactar positivamente o setor, por isso, acreditamos no início da recuperação do mercado no final do terceiro trimestre de 2016.
Para este ano, a estimativa ainda é de queda de cerca de 20% nas vendas de veículos, mas, segundo Moan, agora em agosto as montadoras já verificaram uma estabilidade no número de venda diária em relação a julho.
— Isso aponta uma leve melhora no desempenho do setor. No total, ainda vamos ver queda nos licenciamentos, mas é uma pequena recuperação que deve ser considerada — acrescentou.
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