14 de outubro de 2015
Em uma tentativa de traçar tendências futuras, o 19º Congresso dos Corretores que aconteceu na cidade de Foz do Iguaçu, convidou os corretores a refletir para onde vai o mercado. Com o tema “Para onde caminha o mercado de seguros: uma visão local e global”, os profissionais ouviram atentamente as exposições de Davi Colmenares, CEO da Zurich, Fábio Basilone, da Swett & Crawford Brasil e Mauro Batista, presidente da Academia Nacional de Seguros e Previdência. A mediação do painel foi de José Antonio, presidente do Sincor-PR.
Em sua apresentação, Davi Colmenares, deu seu parecer sobre como corretores e companhias devem atuar. Ele fez uma comparação entre o mundo em 1998 e o mundo em 2015 que é completamente diferente em diversos aspectos. “Hoje temos que a maior empresa de táxi do mundo não tem nenhum veículo em sua frota (UBER) e a mais popular empresa de mídias sociais não produz seu conteúdo (Facebook)”, exemplificou. E os seguros? Ele disse ser importante mudar a forma como o cliente é visto. “O consumidor mudou; 78% dos clientes não são fiéis a nenhuma marca; 62% fazem consultas online, mas compram off-line”, disse. Para ele é preciso mudar o relacionamento com o mercado profissionalizando cada vez mais o corretor de seguros e também investir em tecnologia. “As pessoas mudam mais rápido que as empresas e seu comportamento mudam drasticamente em pouco tempo”, afirmou.
Representando a Swett & Crawford Brasil, Fabio Basilone lembrou que durante a crise internacional de 2008 quando houve redução na taxa de juros, houve reflexo no mercado de seguros, afinal, o mercado e financeiro é primo-irmão do mercado segurador. Para ele, a tendência dos próximos anos é focar no relacionamento com o público consumidor. “Trabalhar com uma demanda que talvez nem saiba dessa demanda; em tantos lugares do mundo o poder público já entendeu que pode dividir algumas responsabilidades com a área privada”, disse. ele acha ainda que é importante todas as pontas do mercado ter um clima de colaboração, com as seguradoras, com a Susep e indicar soluções para os problemas. Para ele há algumas tendências. Ele aposta no aumento na taxa de juros do banco central americano e isso deve elevar a rentabilidade do dinheiro. “Devemos começar a perceber redução na competição no mercado internacional e, com isso, o numero de fusões reduz”, analisou. Outra tendência apontada por Basilone é de que vão existir seguradoras muito capitalizadas que precisarão vender e precisarão de um canal de distribuição para colocar esses produtos nas mãos do cliente, por isso ela ganha destaque. O corretor precisa se reinventar, ficar livre das questões administrativas e burocráticas da empresa para buscar ambientes de colaboração para que o corretor possa fazer o que ele faz melhor. “Está nas mãos dos corretores encontrar essa demanda diferente e aprender a lidar com esse publico que muitas vezes não sabe o que precisa”, ponderou.
Mauro Batista, o presidente da Academia Nacional de Previdência e Seguros também fez uma análise do mercado. Para ele, crise é inerente à vida humana, uma questão de atitudes na vida de cada um. Batista disse ainda, que a crise econômica atual do país é fruto do desdobramento também da crise política. ele lembrou ainda que o mundo está globalizado. “Quando a China parou de crescer isso se refletiu no mundo todo. É preciso entender a crise e traçar o norte através de atitudes”, afirmou.
Para entender o futuro é preciso fazer uma análise do presente. Isso vale para diversos setores e não é diferente na indústria do seguro que nos últimos anos obteve uma expansividade jamais vista. Isso foi impulsionado por diversos fatores entre eles o aumento de renda da população e o aumento de integrantes da classe média e também o melhor entendimento da famosa “cultura do seguro”. Batista disse ainda que o melhor planejamento das famílias e das empresas também foi fundamental para contribuir no crescimento do mercado segurador brasileiro. Batista destacou que ao olhar para o futuro percebe-se uma classe média que conquistou um espaço interessante e contribuiu para a expansividade do mercado. “O seguro passou a ser objeto de desejo para manter o posicionamento dessa classe; podemos entender que o mundo hoje não vive mais sem seguro”, analiso u.
Perspectivas.
Para o presidente da ANSP as projeções para o crescimento do mercado segurador esse ano podem ser menor que 2014, mas há espaço para crescer. “Ainda existe uma demanda importante de quem não faz seguro; na carteira de auto, a frota segurada não chega a 30% e ultimamente tem se falado muito no seguro popular que pode atingir essas demandas”, lembrou.
Em sua análise ele lembrou que ainda haverá mudança na expectativa de vida das pessoas e essas pessoas entram com necessidade de ter seguro. “O corretor de seguros tem ouvido muitos questionamentos sobre venda pela internet, por exemplo. É preciso entender que contra a modernização não existe outra alternativa se não aderir”, sentenciou. As seguradoras já estão se modernizando e é provável que nessa era digital elas passam a ter sua atividade usando recursos que possam ser usados a distância e o corretor também vai usar essa tecnologia. “Quero crer que o corretor de seguros vai se beneficiar com o recurso da tecnologia, imagino o corretor fazendo suas operações e atraindo clientes em seus sites, talvez emitindo apólices”, prevê.
Para ele, nesse cenário, o que resta ao corretor é se modernizar e entender que o mundo digital pode ser um aliado da vida profissional. “Penso que a era digital vai ser um aliado, mas as seguradoras e operadoras precisam ter produtos eficazes; precisamos perceber que hoje o segurado é atualizado com o mundo moderno”, analisou.
Otimista, mas com pé no chão, Batista disse que o corretor deve fazer uma caminhada ascendente: é preciso se modernizar, conhecer o produto que opera. “Com crise ou sem crise, o corretor de seguros vai continuar a desemprenhar muito bem o seu papel; o setor de seguros evolui além dos números. O corretor precisa entender que é um profissional que não precisa de nenhum rótulo para mostrar sua importância dentro da cadeia”, finalizou.
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