18 de novembro de 2015
A Organização Meteorológica Mundial (OMM); ligada à ONU, estima que o atual El Niño deve ser o mais intenso dos últimos 15 anos. No Brasil, está consolidada a expectativa de efeitos nas lavouras do Sul, Norte e Nordeste, mas a preocupação é a falta de seguro rural para mitigar o risco climático, que pode afetar pelo menos 50 mil produtores.
Nesta segunda-feira (16); a OMM informou que o fenômeno, provocado pelo aquecimento da superfície da água do leste do Oceano Pacífico, deverá ter picos de dois graus Celsius acima do normal nas médias de três meses, colocando a atual ocorrência no mesmo patamar das verificadas nos anos de 1972/73, 1982/83 e 1997/98.
Ao DCI, o agrometeorologista da Somar Meteorologia, Marco Antônio dos Santos, explica que independentemente deste ser o El Niño mais forte da história ou um dos, os efeitos são os mesmos: chuvas concentradas no Sul, irregulares no Sudeste e Centro-Oeste, com seca no semiárido (Norte/ Nordeste).
Temor
“Antigamente os especialistas diziam que o El Niño era bom para o Sul, porque trazia chuvas. Agora chove muito e acaba atrapalhando, como aconteceu com o trigo, por exemplo. Estamos muito preocupados [com o fenômeno deste ano], mas a questão é saber como reduzir essa perda e a única forma que vemos para isso é com o seguro agrícola”, afirma o coordenador do departamento técnico e econômico da Federação de Agricultura do Estado Paraná (Faep); Pedro Loyola.
No entanto, no dia 6 de novembro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) encaminhou um comunicado às seguradoras e aos produtores informando que “foram encerradas as operações do PSR [Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural] no exercício de 2015. Nesse sentido, não mais serão disponibilizados recursos orçamentários e não há, portanto, autorização por parte deste Ministério para a contratação de qualquer apólice de seguro rural com subvenção federal”, assinado pelo diretor do departamento de crédito, recursos e riscos, Vitor Ozaki.
Um levantamento da Faep em parceria com as seguradoras aponta que 50 mil produtores de todo o Brasil ficaram de fora do programa de subvenção, sendo 36 mil sojicultores.
Por força da legislação vigente, no caso de apólices já contratadas e do encerramento dos pagamentos por parte do governo, cabe ao produtor rural assumir o valor total com a seguradora. Segundo o presidente da Essor Seguradora, Fabio Pinho, isso pode significar um aumento médio de 50% no custo do agricultor.
“Geralmente, nos contratos de seguro rural, o governo pode pagar entre 40% e 60%, de acordo com a cultura, e o produtor assume o restante da apólice. Se a subvenção do Ministério termina, para uma apólice que custava R$ 1000 e o produtor pagava apenas R$ 500, agora ele arca com os R$ 1000”, exemplifica Pinho.
Na visão do especialista em seguros, o governo federal perde uma parte de sua credibilidade com o mercado.
Procurado pela reportagem do DCI, o Ministério da Agricultura não se posicionou até o fechamento desta edição.
Velhos entraves
No lançamento do Plano Safra, ocorrido no primeiro semestre, o Mapa tinha aprovado recursos de R$ 668 milhões na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2015. Porém, houve direcionamento de R$ 300 milhões desse orçamento para pagamento de apólices de seguro do ano passado, e em agosto o programa sofreu contingenciamento de recursos da ordem de R$ 51,3 milhões totalizando um corte de R$ 351,3 milhões. Restaram, então, R$ 316,7 milhões para o ano de 2015.
Vale destacar que entre os discursos da ministra da pasta, Kátia Abreu, o seguro rural foi colocado entre as prioridades.
As informações oficiais mais recentes sobre as próximas medidas são apenas as que constam no comunicado que indicou o encerramento das contratações para este ano.
“Alertamos que está em discussão no âmbito do CGSR [Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural] a elaboração do próximo Plano Trienal do Seguro Rural – PTSR, que compreende as regras gerais do Programa, como os percentuais de subvenção por cultura, limite financeiro por beneficiário e tratamentos diferenciados por cultura ou região. Dessa forma, reiteramos que em breve as regras para o exercício de 2016 serão divulgadas”, declarou Ozaki.
Para o setor agrícola, trigo, soja, milho e arroz terão os principais impactos.
VEJA TAMBÉM
Iniciativa reuniu mulheres para discutir investimentos, formação de patrimônio, previdência e proteção fin ...
Última prova do ano será realizada no dia 29 de novembro, no Complexo Turístico da Ponta Negra, às margens ...
Palestra promovida pela SulAmérica reuniu mulheres na sede do SindsegSC para falar sobre saúde.






