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Alto custo e falta de expertise travam o mercado segurador

Os altos preços e a falta de produtos especializados para segmentos de indústria, energia e óleo e gás, tê ...



Geral
9 de junho de 2016

Os altos preços e a falta de produtos especializados para segmentos de indústria, energia e óleo e gás, têm impedido a aceitação de seguros por grandes empresas do setor. Além da crise, a alta nos sinistros e má expertise deixam cenário difícil para seguradoras.

De acordo com Elias Junior, especialista de subscrição do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB RE Brasil); em relação ao mercado petrolífero, por exemplo, apesar da capacidade de contenção de risco próxima a U$ 7 bilhões, a receita das seguradoras caiu 50% em três anos.

"O preço do barril acabou paralisando os investimentos e isso provocou uma redução também na arrecadação do prêmio de seguro. No entanto, os sinistros continuam acontecendo em proporções que impactam o mercado, sendo que, só no último ano, duas situações já representaram R$ 500 milhões arcados em sinistros", identifica, sem detalhar essas situações.

Junior ressalta que o único motivo para o ramo ainda ter apresentado resultado positivo, foi a valorização cambial, uma vez que as apólices são emitidas em dólar, e a contabilização, feita na moeda local, ajuda no resultado final pelo prêmio não ganho.

Segundo dados da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNseg); apesar de a arrecadação do mercado segurador em relação aos produtos de Responsabilidade Civil - um dos principais seguros voltados para executivos de altos cargos - ter apresentado alta de 17,7% em 2015 com relação a 2014, em abril, mostrou recuo de 23,08% ante março e, de 12,9% em relação a igual mês de 2015.

Para Angelita Maria Pereira, chefe da divisão de contratos, seguros e cadastro de fornecedores da Eletrosul, controlada pela Eletrobras, os atuais produtos presentes no mercado segurador não condizem com a realidade da demanda.

"É preciso tratar dos vários segmentos específicos, buscando as ansiedades de cada setor, principalmente porque quando se fala de grandes valores, isso pode inviabilizar a companhia e um seguro bem feito ajudaria bastante nessa questão", explica Pereira.

Ela destaca que, além disso, a precificação dos seguros não condiz com o cenário de recessão, realidade em muitas empresas. "Riscos que não fazem parte do histórico da empresa, são bem mais difíceis de mensurar por não serem questões vivenciadas no dia a dia", diz.

Segundo Dante José Santiago Tapioca, especialista em seguros da Neoenergia, a maior preocupação é que "os riscos estão muito mal subscritos" nas apólices. "Muitas vezes fomentamos, junto ao jurídico, questões necessárias para viabilizar uma negociação, mas não é fácil chegar a um consenso, principalmente porque as seguradoras não podem realizar a formação de uma franquia por meio de conveniência para ela", completa.

Responsabilidade

De acordo com os especialistas, a tendência do mercado em relação aos riscos, é de atrelar a responsabilidade pessoal em contratos de gestão.

"Temos levado esses exemplos ao nosso executivo, para que eles também vejam a responsabilidade deles nesse cenário. Tivemos um sinistro, por exemplo, onde só os custos das despesas hospitalares foram de R$ 6 milhões. É algo caro, mas necessário, porque é um setor muito complexo", diz Valéria Conrado Leite, gerente de riscos da AES Eletropaulo.

Para Pereira, a responsabilização do gestor é necessária porque "apesar do mercado ser regulado, as apólices de hoje, muitas vezes, não atendem os anseios dos setores elétricos, industrial e de óleo e gás". "Além disso, os custos das indenizações estão aumentando muito nos últimos anos, e nem sempre só com terceiros, mas dentro da própria empresa também. Isso acaba trazendo reflexos importantes para o setor como um todo", conta.





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