29 de julho de 2016
Recentemente, o ministro da saúde, Ricardo Barros, defendeu a criação de planos de saúde mais baratos como forma de reduzir a demanda do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa solução surgiu em um momento de crise e falta de recursos na área da saúde. A estratégica, embora tenha gerado muita polêmica e críticas, é viável e pode ajudar a tirar essa pressão atual do sistema público de saúde e melhorar os serviços oferecidos à população.
Hoje, o SUS atende cerca de 150 milhões de pessoas e a medicina suplementar aproximadamente 50 milhões. Entretanto, o total investido pelos planos de saúde é maior dos que o do SUS. Entre os problemas que encarecem os custos dos planos estão a inflação médica, que em geral, é o dobro da inflação; a medicina cada vez mais cara com o surgimento de novas tecnologias; medicamentos de última geração como os quimioterápicos, monoclonais ou terapia gênica; e o envelhecimento da população. Para que os planos de saúde possam ser mais baratos e assim atender uma maior parcela da sociedade, o governo propôs diminuir a lista de serviços obrigatórios.
Baixar o custo dos planos de saúde é possível, mas requer algumas medidas. Calcula-se que é possível diminuir o valor cobrado em até 30%. Para isso, são necessárias algumas adequações no atendimento, além de uma campanha de educação para que exista mudança na forma como a população enxerga o papel dos planos de saúde. Hoje, o que ocorre é a necessidade de ter um plano voltado ao problema pré-existente, isto leva a seguinte conclusão: o plano ao invés de ser voltado à saúde acaba em grande parte sendo voltado à doença, portanto é preciso estimular que pessoas saudáveis também procurem ter plano de saúde como opção de cuidados para o futuro.
Alguns entraves dificultam as mudanças que realmente são capazes de resultar em diminuição de custos. Uma delas é a legislação atual, que não permite bonificação por uso dos serviços, a exemplo do que existe com os seguros de carro. A bonificação poderia ser um estímulo tanto para a utilização racional do serviço de saúde – consultas e exames – quanto para beneficiar usuários que sigam programas de prevenção, como cuidados alimentares, exercícios e eliminação de vícios. Essas são formas de diminuir, efetivamente, os gastos e os custos.
Uma mudança na forma como os reajustes são autorizados pela Agência Nacional de saúde (ANS) também é necessária. É preciso permitir reajustes conforme a sinistralidade. Isso poderia estimular as operadoras a comercializarem planos familiares. Os reajustes autorizados pela ANS ao setor estão aquém da inflação médica, o que faz com que a maioria das empresas opte por não comercializar esse tipo de produto. Ao mesmo tempo, outra medida interessante seria a flexibilização de contratos. Isso significa possibilitar novas opções de planos de saúde conforme a necessidade da região do país.
Outra forma de otimizar o serviço é estimular uma prática que ainda é vista com ressalva pelos segurados que tem plano de saúde, é a figura do médico de família ou médico gestor. Esse profissional seria o responsável pelo atendimento e encaminhamento dos pacientes, somente quando necessário. Isso evitaria consultas, exames e até tratamentos desnecessários. A Medicina de Família é largamente utilizada com ótimos resultados em diversos países, como Inglaterra, Canadá e Espanha.
Com essas mudanças de paradigmas e atitudes é possível oferecer planos de saúde com valores mais baixos e aumentar a gama de usuários, fazendo com que o serviço deixe de ser acessível apenas aos grupos de classe média e alta. A popularização dos planos é uma saída para a crise do setor de saúde pública, desafogando o SUS e oferecendo um atendimento de qualidade à população.
VEJA TAMBÉM
Iniciativa reuniu mulheres para discutir investimentos, formação de patrimônio, previdência e proteção fin ...
Última prova do ano será realizada no dia 29 de novembro, no Complexo Turístico da Ponta Negra, às margens ...
Palestra promovida pela SulAmérica reuniu mulheres na sede do SindsegSC para falar sobre saúde.






