>

Em Novo Hamburgo, economista-chefe de Icatu faz projeções para 2024 sobre PIB, câmbio e Taxa Selic

27.03.2024 - Fonte: Seguro Gaúcho | Fotos: Fábio Winter/Divulgação ACI-NH

dfa3052c-73b0-412a-8a84-0240405b4f73

Desempenho e Perspectivas da Economia Brasileira e Mundial foi o tema da palestra conduzida pela economista-chefe de Icatu Seguros, Victoria Werneck, durante o "Prato Principal", evento promovido pela Associação Comercial de Novo Hamburgo (ACI). A atividade aconteceu ao meio-dia de terça-feira, 26 de março, no Centro de Eventos do Swan, em NH (RS). De forma muito didática, Victória apresentou suas projeções para o ano de 2024 referentes a importantes indicadores da economia como PIB, taxas de Câmbio e Selic, além de IPCA e IGP-M. O presidente da Rio Grande Seguros e vice-presidente corporativo da Icatu, César Saut, também explanou no encontro.

Na abertura da atividade, César Saut fez significativos comentários sobre o Grupo Icatu, destacando aspectos da história da Companhia que atua no mercado de seguros de pessoas e na gestão de recursos. Ele também comentou sobre números que demonstram a pujança da empresa: "atuamos em Vida, Previdência, Capitalização e Gestão de Recursos. A Icatu apresentou uma movimentação de R$ 12.9 bilhões". Ao referir-se a palestrante do evento, o executivo enalteceu a relevância de Victória Werneck quando o assunto é a macroeconomia. “Mesmo escutando com atenção as análises e os prognósticos de grandes economistas em relação a assuntos macroeconômicos, eu sempre procuro ouvir a mensagem da Victória. Sei que a família Almeida Braga também faz o mesmo. Pedro Malan e Gustavo Loyola me disseram que Victória Werneck é referência no tema e a mais indicada especialista para ajudá-los a pensar o futuro de um país em que até o passado é incerto”, observou Saut.

Dentro do cenário econômico a palestrante fez importantes projeções para o ano de 2024. Em sua avalição o PIB brasileiro deverá ser de 1,86%, a taxa Selic poderá chegar ao índice de 8,50%, enquanto a taxa de câmbio atingirá R$ 5,00, o IPCA 3,60% e o IGP-M 3,30%.

A economista-chefe de Icatu ressaltou que as contas externas excepcionalmente sólidas propiciaram oportuno movimento de apreciação cambial, que aliviou a pressão sobre preços de bens comercializados internacionalmente, facilitando o desafio do Banco Central de trazer a taxa oficial de inflação que era de 12% ao ano, em meados de 2022, para o percentual atual de 4,5%. “É notável que o esforço de desinflação tenha sido viável sem maiores sacrifícios no nível da atividade econômica. O Banco Central conseguiu reduzir a inflação para apenas um dígito sem aumentar o desemprego e sem gerar queda no nível de atividade geral da economia”, observou a palestrante.

Victória comentou que o país investiu apenas 16,5% do PIB em 2023 e em sua avaliação não é possível sonhar, no longo prazo, com crescimento maior do que 2% se não houver investimentos de pelo menos 20% do PIB. “O Governo deveria ter se empenhado em reverter a queda do investimento e transformar a formação de capital no motor de expansão da economia, mas não é o que se tem visto”.

A palestrante ainda salientou que o Brasil apresenta várias condições para ter êxito e conta com oportunidades de investimento em vários setores, como indústria e serviços, além do agronegócio. Entretanto, ela criticou a conduta do atual governo e disse estar preocupada com essa conduta: “o Planalto não consegue deixar de insistir num discurso econômico arcaico e torto, que continua a amplificar as incertezas que já cercam as decisões de investimentos no país. Como exemplo cito a desastrosa ingerência do Governo tanto na Vale do Rio Doce, como na Petrobrás”. Victória destacou que é difícil para os investidores estratégicos nacionais e internacionais confiem num país que não apresenta regras claras: “para você investir é necessário rentabilidade, segurança jurídica, confiança e um horizonte de inflação sob controle”.

Embora tenha visto com otimismo a expansão econômica brasileira em 2023, que foi de 2,9%, a executiva destacou que o crescimento está arrefecendo e por isso será menor em 2024. Ela mostrou-se pessimista no que se refere a forma como o governo federal conduz a política fiscal: “o governo federal não sinaliza para o cumprimento das metas fiscais pífias com que se comprometeu para aprovar o arcabouço fiscal e reluta em levar a sério a meta de déficit primário zero em 2024”.

Victoria Werneck ainda fez projeções sobre a expansão da economia global. O tradicional evento promovido pela Associação Comercial de Novo Hamburgo, contou com a presença do presidente do Sincor RS, André Thozeski e da diretora de eventos e marketing da mesma entidade, Genesi Cassol.

Saiba mais sobre Victória Werneck

Victória possui graduação e mestrado em Economia. Atuou como economista-chefe do Banco de Investimentos UBS, da corretora BBA Icatu e do Banco Icatu, além de economista-sênior do Departamento Econômico da Confederação Nacional da Indústria. Foi também professora do Departamento de Economia da PUC - Rio.

Notícias Relacionadas